Perceção do tempo

01-05-2024

Recentemente fui mãe. Uma fase única pela qual nunca tinha passado e que inevitavelmente veio provocar uma série de mudanças. Gostaria de me concentrar na minha perceção relativamente ao tempo. Esse, ora parecia passar extremamente devagar, ora demasiado depressa. Blocos de 3h corridos ao longo de um dia nunca mais tiveram a mesma duração.

Tenho consciência que o dia não passa a ser mais longo ou mais curto consoante os meus afazeres.

Também me apercebo que a minha perceção do tempo não estava sincronizada com a perceção do tempo das outras pessoas. Arrisco-me a dizer que estava mais desestabilizada do que nunca. Por exemplo, ainda não estava preparada para festividades no geral. Parecia-me sempre que faltava muito tempo. Isto sucedeu-se devido ao meu foco, nessa altura, ser outro. Ao foco, às minhas relações interpessoais (pois não me relacionava tanto com as pessoas) e também às coisas (as que deixei de fazer e as que passei a fazer). Tudo isto moldou a forma como eu sentia o tempo a passar.

Interessante foi também experienciar a sensação de voltar a fazer uma coisa que gostava muito e, embora tivessem passados meses, parecia que não tinha passado nem uma semana. Tudo estava ali, igual, como sempre foi e eu também sentia que nunca tinha deixado de fazer aquilo.

Nesta jornada, quando me sentia bem, feliz, tranquila, o tempo passava a correr. Quando me sentia frustrada, triste, desorientada, o tempo passava muito devagar.

É certo que os ponteiros do relógio não se movem mais depressa ou mais devagar. Mas a consciência que temos sobre os mesmos...sim, consoante a forma como nos sentimos. As emoções, essas sim, comandam a vida e a passagem do tempo.


Cátia Soreira, Psicóloga Clínica, Cédula Profissional O.P.P 25484

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